"O olhar atento ao pequeno, o ínfimo, o desprezível. Ao lado, o infinitamente grande, o mesmo céu de antes. (...) Livros resgatados do esquecimento em que se encontravam ganham marcas de pólvora, que não se apagam: desenhos delicados feitos de matéria bruta. (...) Para cada tipo de nuvem é escolhida uma determinada goiva, uma ferramenta específica que reconhecemos pelas marcas deixadas na madeira." - recortes do texto de Amir Brito Cador
Nesta quarta, dia 03/06, abre a exposição Limar, do Talesmã e do Lucas, integrantes da capoeira da Casinha. São séries que partem de experimentos que tem como base o raciocínio da Gravura, mas que muitas vezes extrapolam os procedimentos ditos tradicionais. O trabalho dos artistas é marcado tanto pela impressão em superfícies inusitadas como papéis encontrados, livros antigos e pastas suspensas, assim como o mais fino papel-de-arroz japonês.
Nos falta tempo e sobra trabalho na ilha de edição da Casinha Pictures! Mas não se preocupem, enxergamos uma luz no fim do túnel (do semestre) e em breve postaremos vários vídeos inéditos para vocês, queridas pessoas que acompanham o ilustríssimo blog da Casinha. Por ora, fiquem com nossos camaradas do Black Sonora e seu convidado Bnegão, vítimas do jornalismo espontâneo independente da Casinha no Conexão Vivo deste ano.
Salve galera,
inauguro minhas postagens no blog da casinha com essa que foi das coisas mais bonitas que vi no encontro da Lapinha: o Candombe de Nossa Senhora do Rosário.
Gravei alguns áudios da galera tocando e cantando, seguem alguns trechos.
Sem dúvida, a experiência de ver eles tocando ao vivo nem se compara ao som gravado... Perde o "aqui e agora" de estar frente a frente com a boca sem dentes dos velhinhos cantores, a tamborzada rolando e tudo mais. Mas mesmo assim dá uma onda muito boa. E parece ter mesmo uma coisa "sobrenatural" na música. Uma circularidade de ser tudo no mesmo tom, os refrões repetidos, as sobreposições de ritmos, vai tudo se encaixando, vira um transe, muito bonito. Meio prece, meio celebração dessa coisa esquisita que é ser humano e estar nesse mundo, e que nos faz estar todos no mesmo barco.
"A volta do mundo é grande, nunca pára de girar!"
Axé!
Cultivando a proposta democrática que mantém sua chama acesa, esta semana o Duelo de MC’s promove mais uma noite de shows. Desta vez, as convidadas são as bandas Kabalah e Homens de Fé. Uma noite que une Rap e Reggae com o único objetivo de celebrar diferentes manifestações culturais num ambiente harmonioso, aonde todo mundo é igual.
Kabalah – música, expressão da alma Na estrada desde o início de 2005, a banda Kabalah achou na sonoridade e na alegria do reggae a maneira mais simples e sincera de levar sua mensagem às pessoas. Mesmo não sendo adepto da filosofia de vida rastafári, filosofia respeitada na qual se exige grande evolução de espírito e sabedoria, o quarteto formado por Radu (voz e guitarra), Digão (guitarra), Ramede Pereira (bateria) e Matheus (baixo) aposta na positividade do som jamaicano, aliada a ritmos brasileiros – samba, maracatu, coco – como forma de expressão.
Oriundos de formações musicais distintas, nas quais as influências transitam entre Rap, Hard Core e MPB, estes mineiros de Belo Horizonte se juntaram – em reuniões organizadas no quintal de casa – com a intenção de fazer um som desprovido de preconceitos, que conseguisse transmitir, a diferentes públicos, de idades variadas, o que eles chamam de um “sentimento puro”, verdadeiro. Nas letras, em sua maioria assinadas por Radu, essa característica é reforçada. Seja cantando a alegria, a tristeza ou produzindo crônicas do cotidiano, a autenticidade da vertente eternizada por Bob Marley tem lugar garantido na música do Kabalah. Pode até soar como um clichê, mas banda de reggae que se preze deve saber se expressar com a alma.
Homens de Fé Com o objetivo musical dentro do Hip Hop, o Grupo Homens de Fé vem, desde de 2003, misturando ritmo e poesia com ênfase no cristianismo como mensagens de suas letras, transmitindo uma metodologia e um novo conceito da fé cristã. Oriundo das vilas que compõem o Bairro Serra (em Belo Horizonte), o HF é composto pelos MC’s Waden Pirata, Wanderosn Deck, Mateus Truta, Bruno e Sam, que também é beatmaker. Jovens com trajetórias de vida marcadas pelas adversidades socioeconômicas vividas pelas periferias das grandes metrópoles. A fim de buscar maneiras para sair deste ciclo, esses rapazes mudaram sua maneira de enxergar a vida quando começaram a caminhar com Cristo.
Em dezembro último, o HF lançou seu primeiro disco, intitulado “Primogênito”. O álbum tem 15 faixas, produzidas por Nicolas Vassou (Enece Beats) e DJ Spider, que também assina a gravação, mixagem e masterização do disco.
Como de praxe, o Duelo de MC’s rola debaixo Viaduto Santa Tereza, no centrão de BH, a partir das 21h. É só chegar!
Ano passado assisti à esse filme na Mostra de Cinema que rola em Santa Tereza e até hoje não me sai da cabeça. É emocionante a história de Wilson Simonal. De ídolo das massas, só comparável a Roberto Carlos, ao total ostracismo. Ele que deu tanto duro na vida, pagou pelo mole que deu. E o preço foi muito alto.
O documentário tá nos cinemas e merece ser visto. Tem belíssimas imagens desse mostruoso talento da nossa música. Como as cenas do antológico show no Maracanãzinho lotado, regido pelo maestro Simona. O cara era realmente muito bom. Aqui vai um trailer bem generoso.